Monthly Archives: Abril 2012

Os posts que mais gostei este fim de semana.

O não há donos do regime nem pais da pátria, de José Manuel Fernandes no Blasfémias. O autor começa por dizer que quem rejeita a efeméride do 25 de Abril, está a favor de um estado Salazarista. E que quem defende esse facto são os esquerdistas com um complexo de superioridade. José Manuel Fernandes corrige-o dizendo que a Direita também tem preocupações solidárias, e que os esquerdistas não são os únicos a ter razão. Defende ainda que Mário Soares foi nas palavras dele, fraco, porque deslegitimou o Governo porque sabe que a política tem vários caminhos.

Outro artigo que me fascinou foi a entrevista a Maria Filomena Mónica ao Jornal “i”, em que aprendi uma coisa preciosa que tem muito a ver comigo. Acerca de bolsas de doutoramento, Maria Filomena Mónica considera que deve ser feito um processo de recrutamento pormenorizado a quem se candidata, porque segundo ela quem acaba as bolsas, porque são muito difíceis, não são as pessoas inteligentes, são as pertinazes.

Além disso, a entrevista é bastante interessante e toca variados temas. Destaco  por assim dizer as partes que me pareceram as melhores. Afirma que lhe choca a pobreza emergente nos nossos dias que lhe fazem lembrar os tempos do Estado Novo. E que não estava à espera que ela regressasse em tempos democráticos. Explica que o povo português não é insurrecto para com as políticas do Governo porque não sente a democracia a fundo, pela razão de que o golpe de estado de 74 foi feito apenas por uma classe, os militares. Afirma também que a educação do país vai mal, pois gira em torno do facilitismo. Afirma que a maior conquista do 25 de Abril foi a liberdade e que a oposição do principal partido da oposição, é inexplicavelmente fraca, porque o anterior líder era um delinquente, que está rico, e está a estudar em França.

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A decisão do tribunal de Portalegre, e mais democracia.

Foi noticiado este Sábado pelo Diário de Notícias que o tribunal de Portalegre decidiu numa contenda, que uma casa construída pelo dinheiro do crédito à habitação, que a sua devolução em caso de incumprimento pagava o seu empréstimo. Esta decisão é de louvar pois benefecia o cidadão comum que não tenha possibilidades de pagar. Por outro lado partidos da oposição como o PS e o Bloco de Esquerda prometem legislar esta medida, para que se evite o recurso aos tribunais em casos semelhantes. Todavia a associação dos agentes imobiliários disse que a Banca tem de reagir nesta situação e tomar medidas preventivas.

Contudo no meu entender acho que esta medida não deve ser legislada porque para haver justiça entre os seus intervenientes, só os tribunais são capazes disso porque têm um melhor acesso ao conhecimento de cada situação. Pelo que se se dá o direito ao cidadão de não pagar a casa, bastando entregá-la, certamente haverá uma situação muito injusta para os bancos.

Direita e Esquerda no combate à dividocracia.

Sou uma pessoa que fui criada com a ideia de desconfiança acerca da Direita política, todavia à medida que vou conhecendo cada vez mais o campo da política posso dizer que quer Direita quer Esquerda são dois campos diferentes de acção política, mas que pretendem em teoria resolver os problemas dos cidadãos. Pelo menos é o que acontece no discurso, eu neste caso atribuo quer à Esquerda quer à Direita, uma pelo excesso de compadrio na atribuição de subsídios e a outra pelo demasiado poder que detêm os mercados hoje em dia.

Todavia aprendo alguma coisa quando vejo um post que afirma que são precisas as duas ideologias para combater o mal que nos assume que é a dividocracia:

O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas (…). Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política – aquela que nem aos islandeses está a chegar. A dividocracia (…) é, depois das ideologias totalitárias dos anos 30, o mais poderoso instrumento de subjugação dos cidadãos e dos Estados a poderes não eleitos. Vencer a chantagem do poder financeiro – que alimenta a dívida e se alimenta da dívida – é, neste momento, a primeira de todas as batalhas de quem se considere democrata. É aqui que se fará a trincheira de todos os combates políticos deste início de século.

Gostei deste post de Helena Matos no Blasfémias dizendo que o pequeno almoço das crianças carenciadas deve ser tomado em casa com a família. Isto a propósito de uma medida em que todos os partidos da assembleia estavam interessados em concretizar, o apoio às crianças que chegavam à escola de manhã sem o pequeno almoço tomado. Todavia Helena Matos não concorda absolutamente com essa medida, porque implica uma maior intervenção do Estado, seguido de que Ana Jorge explicou em 2009, que as crianças que não tomam o pequeno almoço em casa têm origem, em famílias disfuncionais e não com problemas de dinheiro. E explica brilhantemente que as crianças não devem tomar o pequeno almoço na escola, mas sim em casa, com a família porque se tomassem na escola podiam ser olhadas de lado, pelo que essas famílias devem ser fornecidas em géneros e dinheiro.

Geografia do gosto

Maria do Rosário Pedreira elabora no post de hoje uma geografia do gosto ao longo dos tempos, desde o tempo em que é editora, e o modo como o gosto varia consoante a localização geográfica. Explicou que na altura em que entrou Portugal era um país mais analfabeto e menos globalizado, e que os gostos da cultura americana não tinham sucesso em Portugal. Todavia hoje em dia os gostos culturais estão mais homogeneizados, contudo os artistas que têm sucesso num país não quer dizer que o obtenham no país de origem.

Maria do Rosário Pedreira elabora neste post o modo atual como o gosto evoluiu em Portugal, dizendo que este caminha para os modos mais homogéneos dentro das civilizações, mas que mesmo assim, a pequenez de Portugal faz com que o estrangeiro seja considerado superior. Mas que Portugal está no bom caminho em termos culturais.

O que eu estou a ler neste momento.

Neste momento leio “Ulisses” de James Joyce. Anteriormente li “Guerra e Paz” de Tolstói, seguidamente de “1984” de George Orwel. Estes livros são todos clássicos da literatura, e é uma opção que tomei, a de ler os clássicos, para me dar um bom gosto literário. Contudo depois de tudo o que li noto uma evolução em mim, acho que sou mais eficiente na leitura. Antigamente quando lia procurava um segundo significado nas palavras, hoje não, leio apenas para me divertir. E paradoxalmente penso que leio melhor hoje em dia, e que assim estou no bom caminho. Porque leio apenas o que está lá escrito, não procuro um segundo significado. E é assim que se constrói um sentido para a vida, em vez de procurar respostas analíticas, que apenas nos dão frustrações, ou explicações pouco convincentes, uma pessoa lê melhor, como disse paradoxalmente, e retém o gosto pela leitura, assim como percebe melhor o livro, e goza acima de tudo a vida.

Sugestão de leitura

O “Horas Extraordinárias” é um blog de referência no que à literatura diz respeito. A sua autora é Maria do Rosário Pedreira, uma editora de renome no panorama nacional, e é um blog que costumo ler todos os dias úteis, pois são os dias em que a autora publica. Todavia hoje houve um post que me chamou a atenção e o qual eu vou ter o gosto de partilhar com vocês. Chama-se “Da Pérsia ao Irão” e fala-nos de um livro que deu mote a um filme chamado Persépolis que fez sucesso no mundo inteiro há uns anos. Este falava do intervalo que houve entre dois regimes políticos no Irão, entre o Irão dos Xás e posteriormente o Irão dos Ayatollas. Entrementes conta a história de uma menina que foi educada num estilo ocidental e que posteriormente sofrerá um retrocesso civilizacional, ou não, como queiram, passando do estudo da matemática, ao estudo sistemático do Corão. Além disso, conta-nos a sua história de vida e o seu crescimento. O livro já está disponível nas bancas, e Maria do Rosário Pedreira aconselha-o a todos os jovens que pretendem entrar no mundo da leitura, mas ainda são demasiado preguiçosos para o fazer.

O retrato do 25 de Abril

Paulo Morais em dois posts no Blasfémias faz o retrato actual do 25 de Abril. No post Estado da Nação afirma que 38 anos depois de 1974 os salários são de miséria, há uma enorme carga fiscal e uma economia em contínua decadência. Afirma que os sucessivos governos instituídos, em vez de resolverem o problema contribuiram ainda mais para o agravar. Os sucessivos parlamentos continuam a produzir legislação em que nada melhora o país. E que além de não fiscalizarem o que o governo faz, são correia de transmissão dos interesses dos partidos. Os partidos por seu lado raramente dizem o que pretendem para o país, e quando dizem, quando chegam ao governo fazem exatamente o contrário.

No post seguinte, “Os Intocáveis” aborda a política de Vitor Gaspar, em que não se cumpriram as promessas de acabar com as gorduras do estado, de acabar com os negócios em que favorece empresas do regime, e o combate da corrupção. Além disso não foi em frente com a renegociação das parcerias público-privadas para não incomodar as concessionárias. Não reestruturou a dívida pública poupando em milhares de milhões de euros apenas para benificiar os bancos. E as finanças nem sequer quiseram renegociar o negócio das rendas que o Estado paga a algumas empresas.

Paulo Morais faz um retrato preciso do modo como vai a política em Portugal em termos históricos e no presente actual, de um modo contundente e certo.

Prós e Contras:38 anos do 25 de Abril

Estou admirado com a qualidade de críticas que abundam no Prós e Contras de hoje. Diz-se livremente na televisão do Estado que é preciso um novo modelo de sociedade, e que os portugueses estão fartos. Grande programa o de hoje!

Resolução para a fome no mundo.

Segundo o Nobel da Química em 2010, o problema da fome pode ser resolvido com a transformação do dióxido de carbono em alimentos através de um processo de fotossíntese artificial. Esse processo já pode ser feito, mas exige o recurso a materiais muito dispendiosos como a platina e o ouro. Pelo que a produção a nível industrial ainda está em construção, e exige tempo para que seja possível. Mas é positivo que se transforme um dos nossos grandes coveiros em alimento, seria o prenúncio de uma terra mais feliz, sem dúvida.