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Retrato exacto do desemprego

Este é o contexto: há, oficialmente, um milhão e vinte e uma mil pessoas desempregadas (819 mil contabilizadas pelo Instituto Nacional de Estatística mais 202 mil que foram consideradas inativas, estando embora disponíveis para trabalhar). É uma brutalidade, um rolo compressor para milhares de famílias, uma gigante bola de ferro que destrói tudo o que apanha pela frente. Contas feitas, a cada dia que passa mais meio milhar de portugueses ficam desempregados.

O INE conta-nos a realidade aproximada do desemprego em Portugal porque o Instituto de Desemprego anda por volta dos 500 mil, 600 mil. Sabemos também que as medidas de austeridade instalarão uma realidade totalmente diferente, em que será muito difícil nascerem novas empresas.

E que este será o estado normal da economia, com um desemprego nos 15%, e em que não voltaremos ao desemprego dos gloriosos anos 90. 

 

Contextualizar

Vale a pena ler esta “posta” do José Maria Gui Pimental sobre as declarações do primeiro ministro sobre o desemprego. O autor conclui que a política de comunicação do governo é fraquíssima, todavia as suas declarações foram emitidas no certame de tomada de posse do novo gabinete de empreendedorismo e inovação. Contudo estas declarações só seriam normais em ambientes normais e não de recessão, bem dito!

Heterogeneidade de públicos

Ana Craveiro no Delito de Opinião considera as declarações de Passos Coelho sobre o desemprego imprudentes, afirmando que estas se aplicam aos jovens, não se podendo dizer o mesmo em relação aos mais velhos. Concordo com ela porque os jovens ainda estão no início da vida, enquanto os mais velhos já não esperam nada da vida.

Contudo segundo alguns críticos, Portugal precisa de uma mudança de mentalidade e afirmar que velhos são os trapos. As afirmações de Passos Coelho chocam as pessoas mais velhas porque estas consideram que devem sempre trabalhar para outrém. Contudo Portugal preciso hoje de um rejuvenescimento da economia, e isso implica que surja o empreendedorismo dos desempregados, quer sejam jovens ou mais velhos; porque todos somos precisos!

E reafirmo a aposta no empreendedorismo porque não há empregos suficientes para toda a gente. É preciso que as pessoas se conformem em abrir o seu próprio emprego, é assim em todo o lado. E também porque o Estado já não tem condições para contratar mais, a tendência é para despedir mais funcionários públicos.